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Hippies, do Beat Generation até o Woodstock.

O termo Hippie se refere a um movimento de contracultura que surgiu nos Estados Unidos na década de 1960. Esse movimento se espalhou posteriormente para diversos países ocidentais.

Os membros desse movimento são chamados de hippies, então essa palavra pode se referir ao movimento e a membros deste mesmo movimento. Os hippies influenciaram a moda, a música, a televisão e as artes.

Apesar de serem conhecidos genericamente como hippies, as pessoas que faziam parte deste movimento se chamavam sunflowers.

Os hippies eram contra o consumismo e materialismo. Defendiam o amor livre, e a droga do momento: o LSD, que deu origem ao psicodelismo. Esse termo psicodélico se referia as experiências dessas drogas alucinógenas e a arte derivada desta experiência.

Pscicodelismo (Pixbay)

Beat Generation, precursor dos Hippies

Beat Generation foi um movimento artístico e literário que surgiu nos anos 1940 e durou até meados de 1960. Essa corrente defendia a criatividade espontânea, o não conformismo, a liberação sexual e o estilo de vida jovem. O nome Beat Generation e sua definição apareceu no The New York Times, em 1952, num artigo denominado: “This is The Beat Generation“.

Assim como os hippies, o Beat Generation também foi um movimento que surgiu no contexto do pós-guerra e no começo da polarização política que colocaria em dois opostos os Estados Unidos capitalista, contra o socialismo da então, União Soviética (URSS).

Nessa época os Estados Unidos começam a participar de guerras fora de seu território, como na guerra entre as duas Coreias (Sul x Norte), reproduzindo a polarização entre o mundo capitalista e o mundo comunista. O armistício entre as duas Coreias aconteceu no ano de 1952.

Os membros do movimento Beat se reuniam no Greenwich Village, em Nova Iorque, onde faziam leituras e discussões literárias. Entre eles, o escritor Jack Kerouac , que escreveu o romance, On the Road, considerado um manifesto do movimento Beat Generation. O poeta Allen Ginsberg, um dos membros fundadores do Beat Generation, escreveu o poema Howl, que possuía uma linguagem que veio a escandalizar na época.

Jack Kerouac

Os artistas deste movimento usavam a espiritualidade e a religião, principalmente o budismo, como uma inspiração para os valores do Beat Generation. O pacifismo e o amor livre também fazem parte da ideologia desta corrente artística.

Beat Generation era retratado na mídia de uma maneira estereotipada, como pessoas que se vestiam de preto, usando boinas e óculos escuros. Os membros deste movimento de contracultura eram chamados de Beatniks.

Mulher Beatnik

Merry Pranksters, os primeiros hippies

O escritor Ken Kesey possuía um grupo de seguidores conhecidos pelo nome de Marry Pranksters. Esse grupo era seminômade, moravam em comunidades nas casas que Ken Kesey possuía no Oregon e na Califórnia. Eles viajavam num ônibus pintado de um jeito psicodélico, o Furthur.

Ônibus Furthur.

Cerca de quatorze pessoas viajavam nesse ônibus que eram chamados de ‘Merry Band of Pranksters‘. Eles viajaram por vários lugares nos Estados Unidos no ano de 1964. Esta viagem deu origem ao livro The Electric Kool-Aid Acid Test, escrito por Tom Wolfe publicado em 1968.

Livro: The Electric Kool-Aid Acid Test, Tom Wolfe.

Ken Kasey era um dos passageiros deste ônibus. Kasey participou de um experimento com uso de drogas, como o LSD, cocaína, mescalina, DMT entre outros. Ele também trabalhou em um hospital psiquiátrico, onde sob influência de drogas conversava com os pacientes. Chegando a conclusão de que eles não eram loucos, mas sim de que não se encaixavam na sociedade convencional sendo expulsos desta.

Esse conceito de loucura não é novo, ele foi descrito por Thomas Hobbes, no livro Leviatã.

Foi usando essa experiência no hospital e no experimento com drogas, que Kasey escreveu One Flew Over the Cuckoo’s Nest.

One Flew Over the Cuckoo’s Nest, Ken Kasey.

A moda hippie surgiu graças a essa viagem feita pelos Merry Pranksters, pois foram abertas lojas que vendiam roupas e acessórios com estampas psicodélicas.

Música, Psicodelia e Hippies

Um dos membros do Beat Generation em Greewich Village, Chandler A. Laughlin III, fizeram o The Red Dog Experience, que aconteceu no bar Red Dog Saloon, que fica numa cidade pequena no estado de Nevada nos Estados Unidos.

Neste local, Laughlin reuniu diversas bandas do que seria chamado de rock psicodélico. Eles reuniam música e experiência psicodélica, formando um senso comunitário durante estas apresentações. Os músicos utilizavam cabelos longos, roupas inspiradas nas que seriam usadas por nativos americanos, vindo a ser o estilo precursor do visual hippie.

Visual Hippie. (Pixabay)

Alguns participantes do Red Dog Experience fundaram o The Family Dog, uma produtora que promovia eventos com a experiência completa do rock psicodélico. Estes shows aconteciam em São Francisco, no estado da Califórnia, e atraíram estudantes que resolveram unir a música psicodélica a um ideal de cidade livre, anarquista; os jovens distribuíam comida, drogas e faziam arte de rua.

Em 1966, a Califórnia tornou o LSD numa droga ilícita. Em resposta a isto, os hippies organizaram o evento Love Pageant Rally, onde leram uma declaração de independência, alguns usaram ácido e cantaram músicas. Eles queriam passar a mensagem de que o uso do LSD servia para alcançar o estado de uma consciência transcendental.

Os Beatles eram adeptos do movimento hippie. John Lennon era o arquétipo do homem transcendental. Era contra a guerra, a favor da paz e rebelde. O pacifismo também era uma grande característica do movimento Hippie.

John Lennon, Hippie. “Give Peace a Chance”.

O movimento Hippie atingiu seu auge no Festival de Rock Woodstock, que aconteceu no ano de 1969 e tinha o slogan: “3 dias de paz e música”. Este festival reuniu cerca de 500 mil pessoas.

A partir da década de 1970 a cultura Hippie começou a entrar em declínio. O movimento Hippie influenciou muito sua época e até hoje os valores hippies são relembrados.

Em tempo…

Vale lembrar que, apesar da romantização do LCD feito pelos Hippies, é uma droga que provoca alucinações, flashbacks, ataque de pânico, paranóia, entre outros efeitos.

Os estudos relativos ao possível uso dessa droga de forma terapêutica são muito recentes, e esses efeitos têm que ser estudados por um longo período para que não se cometa o mesmo erro de Freud com a cocaína, que parecia um remédio milagroso no começo até os terríveis efeitos do uso prolongado aparecerem…


Este post é original do Blog “Culturalizando”

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